A FALTA DE HABITUALIDADE COM AS REGRAS DO JOGO DA VIDA COTIDIANA NA ESQUIZOFRENIA

SOBRE A PERDA DA EVIDÊNCIA NATURAL EM WOLFGANG BLANKENBURG

Autores

  • Jordy Sartori Tamura Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
  • Guilherme Messas Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo https://orcid.org/0000-0002-8985-2300

Palavras-chave:

Esquizofrenia, Fenomenologia, Psicopatologia, Heidegger

Resumo

O presente artigo busca reconstruir o argumento de Wolfgang Blankenburg, que caracteriza a experiência da esquizofrenia como uma falta de habitualidade em relação às regras do jogo da vida cotidiana. Em sua obra “A perda da evidência natural: uma contribuição à psicopatologia oligossintomática da esquizofrenia, Blankenburg explora o caso clínico de Anne Rau, uma paciente que descreve sua dificuldade em reconhecer e seguir as "regras do jogo" que constituem a vida cotidiana, referindo-se a essa experiência como uma perda da "evidência natural". Utilizando os conceitos heideggerianos de "conjuntura" e "contexto remissivo", formulados em “Ser e Tempo”, este artigo realiza uma análise fenomenológica da relação de Anne Rau com essas regras. A ausência de habitualidade com as regras do jogo da vida cotidiana se manifesta em uma aparente falta de tato, comportamentos percebidos como estranhos e uma desorganização evidente em suas ações e discurso. Para compensar essa falta de habitualidade, Anne Rau recorre a um esforço reflexivo excessivo, o que dificulta até as situações mais simples.

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Publicado

2026-08-25

Edição

Seção

Artigos