A FALTA DE HABITUALIDADE COM AS REGRAS DO JOGO DA VIDA COTIDIANA NA ESQUIZOFRENIA
SOBRE A PERDA DA EVIDÊNCIA NATURAL EM WOLFGANG BLANKENBURG
Palavras-chave:
Esquizofrenia, Fenomenologia, Psicopatologia, HeideggerResumo
O presente artigo busca reconstruir o argumento de Wolfgang Blankenburg, que caracteriza a experiência da esquizofrenia como uma falta de habitualidade em relação às regras do jogo da vida cotidiana. Em sua obra “A perda da evidência natural: uma contribuição à psicopatologia oligossintomática da esquizofrenia”, Blankenburg explora o caso clínico de Anne Rau, uma paciente que descreve sua dificuldade em reconhecer e seguir as "regras do jogo" que constituem a vida cotidiana, referindo-se a essa experiência como uma perda da "evidência natural". Utilizando os conceitos heideggerianos de "conjuntura" e "contexto remissivo", formulados em “Ser e Tempo”, este artigo realiza uma análise fenomenológica da relação de Anne Rau com essas regras. A ausência de habitualidade com as regras do jogo da vida cotidiana se manifesta em uma aparente falta de tato, comportamentos percebidos como estranhos e uma desorganização evidente em suas ações e discurso. Para compensar essa falta de habitualidade, Anne Rau recorre a um esforço reflexivo excessivo, o que dificulta até as situações mais simples.